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BRASIL, Sudeste, SAO BERNARDO DO CAMPO, RUDGE RAMOS, Mulher, de 36 a 45 anos, Portuguese, Psicóloga Clinica
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Terapia do Ser


Psiquiatra recomenda ter AMIGAS ...

Vejam porque nos fazemos bem.

 O palestrante (Chefe da psiquiatria da Stanford) afirmou, entre outras coisas, que uma das melhores coisas que o homem pode fazer por sua saúde é  estar casado com uma mulher. Já para a mulher, uma das melhores coisas que ela pode fazer pela sua saúde é nutrir a sua relação com suas amigas. Na  hora, todos os presentes deram risada, mas ele falava sério.
As mulheres se conectam de forma diferenciada e oferecem sistemas de apoio que ajudam a lidar com o estresse e experiências de vida adversas. Este tempo com as amigas nos ajuda a criar mais serotonina, um neurotransmissor  que ajuda a combater a depressão e que pode vir a criar um sentimento de bem estar geral.

As mulheres compartilham seus sentimentos e os homens muitas vezes formam suas relações a partir de suas atividades. Eles raramente sentam com um camarada e discutem como se sentem sobre determinadas coisas ou sobre o andamento de sua vida pessoal.
Trabalho? Sim
Esporte? Sim.
Carros? Sim.
Pescar, Caçar, Golfe? Sim.
Seus sentimentos? Raramente.

As mulheres fazem isso o tempo todo.
Nós compartilhamos a nossa alma com nossas amigas, irmãs/mães e evidentemente isso faz bem à nossa saúde.
O Professor palestrante disse que passar o tempo com um amigo é tão importante para a nossa saúde quanto o exercício físico.
Existe uma tendência de se pensar que quando estamos nos exercitando estamos fazendo algo de bom para o nosso corpo, mas quando estamos com nossos amigos estamos ‘jogando conversa fora’ e desperdiçando noss o tempo, o que não é verdade.
Então, toda vez que vocês estiverem se divertindo na companhia de uma amigona se parabenize porque você está fazendo bem a sua saúde!
Nós somos muito, muito sortudas. Então vamos brindar nossa amizade com nossas amigas. Faz bem à saúde!



Escrito por Marisa de Mello às 22h43
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Recebido de Agenor

bom dia - Recados e Imagens (3373)

 

O que valeu a pena hoje?

Sempre tem alguma coisa. Um telefonema. Um filme...

Paulo Mendes Campos, em uma de suas crônicas reunidas no livro "o amor acaba", diz que devemos nos empenhar em não deixar o dia partir inultilmente.

Eu tenho, há anos, isso como lema.

Antes de dormir, quando a noite chega e o sono ainda não veio, eu penso: o que valeu a pena hoje?

Sempre tem alguma coisa.

Um telefonema. Um filme. Um corte de cabelo que deu certo. Um e-mail inspirado...

Já para algumas pessoas, ganhar o dia é ganhar mesmo:

Ganhar um aumento, ganhar na loteria, ganhar um pedido de casamento, ganhar uma partida, ou até um presente.

Mas para quem valoriza apenas as megavitórias, sobram centenas de outros dias em que, aparentemente, nada acontece, e geralmente são essas pessoas que vivem dizendo que a vida não é boa, mesmo já tendo seu super apartamento, sua bela esposa, seu carro do ano e um salário aditivado.

Nas últimas semanas, meus dias foram salvos por detalhes.

Uma segunda-feira valeu por uma música que não conhecia e alguém me mandou por e-mail... Linda... Que me arrepiou, me transportou para uma época legal da minha vida, me fez querer dividir aquele momento com pessoas que são importantes pra mim.

E assim correm os dias, presenteando a gente com uma música, um crepúsculo, um instante especial que acaba compensando 24 horas banais.

Claro que tem dias em que ninguém nos surpreende, o trabalho não rende e as horas se arrastam melancólicas, sem falar naqueles dias em que tudo dá errado:

Batemos o carro... Somos multados, e pra melhorar, depois perdemos a chave do carro no cinema...

Pois estou pra dizer que até a tristeza pode tornar um dia especial, só que não ficaremos sabendo disso na hora, e sim lá adiante, naquele lugar chamado futuro, onde tudo se justifica.

Uma ótima semana para você!                    



Escrito por Marisa de Mello às 22h41
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Esta foto é da Fundação Cristiano Varela sobre sintomas do câncer de mama.
Muito bem bolado!!!!!! Não custa ficar atenta. Por favor, divulguem.



Escrito por Marisa de Mello às 22h35
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IGREJA CATÓLICA JÁ RECONHECE COMUNICAÇÃO COM OS ESPÍRITOS

Recentemente foi lançado no mercado cultural um livro mediúnico trazendo as reflexões de um padre depois da morte, atribuído, justamente, ao Espírito Dom Helder Câmara, bispo católico, arcebispo emérito de Olinda e Recife, desencarnado no dia 28 de agosto de 1999, em Recife (PE).
O livro psicografado pelo médium Carlos Pereira, da Sociedade Espírita Ermance Dufaux, de Belo Horizonte, causou muita surpresa no meio espírita e grande polêmica entre os católicos. O que causou mais espanto entre todos foi a participação de Marcelo Barros, monge beneditino e teólogo, que durante nove anos foi secretário de Dom Helder Câmara, para a relação ecumênica com as igrejas cristãs e as outras religiões.

Marcelo Barros secretariou Dom Helder Câmara no período de 1966 a 1975 e tem 30 livros publicados. Ao prefaciar o livro Novas Utopias, do espírito Dom Helder, reconhecendo a autenticidade do comunicante, pela originalidade de suas idéias e, também, pela linguagem, é como se a Igreja Católica viesse a público reconhecer o erro no qual incorreu muitas vezes, ao negar a veracidade do fenômeno da comunicação entre vivos e mortos, e desse ao livro de Carlos Pereira, toda a fé necessária como o Imprimátur do Vaticano. É importante destacar, ainda, que os direitos autorais do livro foram divididos em partes iguais, na doação feita pelo médium, à Sociedade Espírita Ermance Dufaux e ao Instituto Dom Helder Câmara, de Recife, o que, aliás, foi aceito pela instituição católica, sem qualquer constrangimento.

No prefácio do livro aparece também o aval do filósofo e teólogo Inácio Strieder e a opinião favorável da historiadora e pesquisadora Jordana Gonçalves Leão, ambos ligados à Igreja Católica. Conforme eles mesmos disseram, essa obra talvez não seja uma produção direcionada aos espíritas, que já convivem com o fenômeno da comunicação, desde a codificação do Espiritismo; mas, para uma grandiosa parcela da população dentro da militância católica, que é chamada a conhecer a verdade espiritual, porque "os tempos são chegados", estes ensinamentos pertencem à natureza e, conseqüentemente, a todos os filhos de Deus.

A verdade espiritual não é propriedade dos espíritas ou de outros que professam estes ensinamentos e, talvez, porque, tenha chegado o momento da Igreja Católica admitir, publicamente, a existência espiritual, a vida depois da morte e a comunicação entre os dois mundos.

Na entrevista com Dom Helder Câmara, realizada pelos editores, o Espírito comunicante respondeu as seguintes perguntas sobre a vida espiritual:

Dom Helder, mesmo na vida espiritual, o senhor se sente um padre?

Não poderia deixar de me sentir padre, porque minha alma, mesmo antes de voltar, já se sentia padre. Ao deixar a existência no corpo físico, continuo como padre porque penso e ajo como padre. Minha convicção à Igreja Católica permanece a mesma, ampliada, é claro, com os ensinamentos que aqui recebo, mas continuo firme junto aos meus irmãos de Clero a contribuir, naquilo que me seja possível, para o bem da humanidade.

Do outro lado da vida o senhor tem alguma facilidade a mais para realizar seu trabalho e exprimir seu pensamento, ou ainda encontra muitas barreiras com o preconceito religioso?

Encontramos muitas barreiras. As pessoas que estão do lado de cá reproduzem o que existe na Terra. Os mesmos agrupamentos que se formam aqui se reproduzem na Terra. Nós temos as mesmas dificuldades de relacionamento, porque os pensamentos continuam firmados, cristalizados em crenças em determinados pontos que não levam a nada. Resistem à idéia de evolução dos conceitos. Mas, a grande diferença é que por estarmos com a vestimenta do espírito, tendo uma consciência mais ampliada das coisas podemos dirigir os nossos pensamentos de outra maneira e assim influenciar aqueles que estão na Terra e que vibram na mesma sintonia.
 
Como o senhor está auxiliando nossa sociedade na condição de desencarnado?
Do mesmo jeito. Nós temos as mesmas preocupações com aqueles que passam fome, que estão nos hospitais, que são injustiçados pelo sistema que subtrai liberdades, enriquece a poucos e colocam na pobreza e na miséria muitos; todos aqueles desvalidos pela sorte. Nós juntamos a todos que pensam semelhantemente a nós, em tarefas enobrecedoras, tentando colaborar para o melhoramento da humanidade.

Como é sua rotina de trabalho?

A minha rotina de trabalho é, mais ou menos, a mesma... Levanto-me, porque aqui também se descansa um pouco, e vamos desenvolver atividades para as quais nos colocamos à disposição. Há grupos que trabalham e que são organizados para o meio católico, para aqueles que precisam de alguma colaboração. Dividimo-nos em grupos e me enquadro em algumas atividades que faço com muito prazer.
 
Qual foi a sua maior tristeza depois de desencarnado? E qual foi a sua maior alegria?
Eu já tinha a convicção de que estaria no seio do Senhor e que não deixaria de existir.
Poder reencontrar os amigos, os parentes, aqueles aos quais devotamos o máximo de nosso apreço e consideração e continuar a trabalhar, é uma grande alegria. A alegria do trabalho para o Nosso Senhor Jesus Cristo.
 
O senhor, depois de desencarnado, tem estado com freqüência nos Centros Espíritas?
Não. Os lugares mais comuns que visito no plano físico são os hospitais; as casas de saúde; são lugares onde o sofrimento humano se faz presente. Naturalmente vou à igreja, a conventos, a seminários, reencontro com amigos, principalmente em sonhos, mas minha permanência mais freqüente não é na casa espírita.
 
O senhor já era reencarnacionista antes de morrer?
Nunca fui reencarnacionista, diga-se de passagem. Não tenho sobre este ponto um trabalho mais desenvolvido porque esse é um assunto delicado, tanto é que o pontuei bem pouco no livro. O que posso dizer é que Deus age conforme a sua sabedoria sobre as nossas vidas e que o nosso grande objetivo é buscarmos a felicidade mediante a prática do amor. Se for preciso voltar a ter novas experiências, isso será um processo natural.
 
Qual é o seu objetivo em escrever mediunicamente?
Mudar, ou pelo menos contribuir para mudar, a visão que as pessoas têm da vida, para que elas percebam que continuamos a existir e que essa nova visão possa mudar profundamente a nossa maneira de viver.
Minha tentativa de adaptação a essa nova forma de escrever foi muito interessante, porque, de início, não sabia exatamente como me adaptar ao médium para poder escrever. É necessário que haja uma aproximação muito grande entre o pensamento que nós temos com o pensamento do médium. É esse o grande de todos nós porque o médium precisa expressar aquilo que estamos intuindo a ele. No início foi difícil, mas aos poucos começamos a criar uma mesma forma de expressão e de pensamento, aí as coisas melhoraram. Outros (médiuns) pelos quais tento me comunicar enfrentam problemas semelhantes.
 
Foi uma surpresa saber que poderia se comunicar pela escrita mediúnica?
Não. Porque eu já sabia que muitas pessoas portadoras da mediunidade faziam isso. Eu apenas não me especializei, não procurei mais detalhes, deixei isso para depois, quando houvesse tempo e oportunidade. Imaginamos que haja outros padres que também queiram escrever mediunicamente, relatarem suas impressões da vida espiritual.
 


Escrito por Marisa de Mello às 22h24
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Por que Dom Helder é quem está escrevendo?
Porque eu pedi. Via-me com a necessidade de expressar aos meus irmãos da Terra que a vida continua e que não paramos simplesmente quando nos colocam dentro de um caixão e nos dizem "acabou-se". Eu já pensava que continuaria a existir, sabia que IGREJA CATÓLICA JÁ RECONHECE COMUNICAÇÃO COM OS ESPÍRITOS haveria algo depois da vida física. Falei isso muitas vezes. Então, senti a necessidade de me expressar por um médium quando estivesse em condições e me fossem dadas as possibilidades. É isto que eu estou fazendo.
 
Outros padres, então, querem escrever mediunicamente em nosso País?
Sim. E não poucos. São muitos aqueles que querem usar a pena mediúnica para poder expressar a sobrevivência após a vida física. Não o fazem por puro preconceito de serem ridicularizados, de não serem aceitos, e resguardam as suas sensibilidades espirituais para não serem colocados numa situação de desconforto. Muitos padres, cardeais até, sentem a proteção espiritual nas suas reflexões, nas suas prédicas, que acreditam ser o Espírito Santo, que na verdade são os irmãos que têm com eles algum tipo de apreço e colaboram nas suas atividades.
 
Como o senhor se sentiu em interação com o médium Carlos Pereira?
Muito à vontade, pois havia afinidade, e porque ele se colocou à disposição para o trabalho. No princípio foi difícil juntar-me a ele por conta de seus interesses e de seu trabalho. Quando acertamos a forma de atuar, foi muito fácil, até porque, num outro momento, ele começou a pesquisar sobre a minha última vida física. Então ficou mais fácil transmitir-lhe as informações que fizeram o livro.
 
O senhor acredita que a Igreja Católica irá aceitar suas palavras pela mediunidade?
Não tenho esta pretensão. Sabemos que tudo vai evoluir e que um dia, inevitavelmente, todos aceitarão a imortalidade com naturalidade, mas é demais imaginar que um livro possa revolucionar o pensamento da nossa Igreja. Acho que teremos críticas, veementes até, mas outros mais sensíveis admitirão as comunicações. Este é o nosso propósito.
 
É verdade que o senhor já tinha alguns pensamentos espíritas quando na vida física?
Eu não diria espírita; diria espiritualista, pois a nossa Igreja, por si só, já prega a sobrevivência após a morte. Logo, fazermos contato com o plano físico depois da morte seria uma conseqüência natural. Pensamentos espíritas não eram, porque não sou espírita. Sem nenhum tipo de constrangimento em ter negado alguns pensamentos espíritas, digo que cheguei a ter, de vez em quando, experiências íntimas espirituais.
 
Igreja - Há as mesmas hierarquias no mundo espiritual?
Não exatamente, mas nós reconhecemos os nossos irmãos que tiveram responsabilidades maiores e que notoriamente tem um grau evolutivo moral muito grande. Seres do lado de cá se reconhecem rapidamente pela sua hombridade, pela sua lucidez, pela sua moralidade. Não quero dizer que na Terra isto não ocorra, mas do lado de cá da vida isto é tudo mais transparente; nós captamos a realidade com mais intensidade. Autoridade aqui não se faz somente com um cargo transitório que se teve na vida terrena, mas, sobretudo, pelo avanço moral.
 
Qual seu pensamento sobre o papado na atualidade?
Muito controverso esse assunto. Estar na cadeira de Pedro, representando o pensamento maior de Nosso Senhor Jesus Cristo, é uma responsabilidade enorme para qualquer ser humano. Então fica muito fácil, para nós que estamos de fora, atribuirmos para quem está ali sentado, algum tipo de consideração. Não é fácil. Quem está ali tem inúmeras responsabilidades, não apenas materiais, mas descobri que as espirituais ainda em maior grau. Eu posso ter uma visão ideológica de como poderia ser a organização da Igreja; defendi isso durante minha vida. Mas tenho que admitir, embora acredite nesta visão ideal da Santa Igreja, que as transformações pelas quais devemos passar merecem cuidado, porque não podemos dar sobressaltos na evolução. Queira Deus que o atual Papa Ratzinger (Bento XVI) possa ter a lucidez necessária para poder conduzir a Igreja ao destino que ela merece.
 
O senhor teria alguma sugestão a fazer para que a Igreja cumpra seu papel?
Não preciso dizer mais nada. O que disse em vida física, reforço. Quero apenas dizer que quando estamos do lado de cá da vida, possuímos uma visão mais ampliada das coisas. Determinados posicionamentos que tomamos, podem não estar em seu melhor momento de implantação, principalmente por uma conjuntura de fatores que daqui percebemos. Isto não quer dizer que não devamos ter como referência os nossos principais ideais e, sempre que possível, colocá-los em prática.
 
Espíritas no futuro?
Não tenho a menor dúvida. Não pertencem estes ensinamentos a nossa Igreja, ou de outros que professam estes ensinamentos espirituais. Portanto, mais cedo ou mais tarde, a nossa Igreja terá que admitir a existência espiritual, a vida depois da morte, a comunicação entre os dois mundos e todos os outros princípios que naturalmente decorrem da vida espiritual.
IGREJA CATÓLICA JÁ RECONHECE COMUNICAÇÃO COM OS ESPÍRITOS
 
Quais são os nomes mais conhecidos da Igreja que estão cooperando com o  progresso do Brasil no mundo espiritual?
Enumerá-los seria uma injustiça, pois há base em todas as localidades. Então, dizer um nome ou outro seria uma referência pontual porque há muitos, que são poucos conhecidos, mas que desenvolvem do lado de cá da vida um trabalho fenomenal e nós nos engajamos nestas iniciativas de amor ao próximo.
 
Amor - Que mensagem o senhor daria especificamente aos católicos agora, depois da morte?
Que amem, amem muito, porque somente através do amor vai ser possível trazer um pouco mais de tranqüilidade à alma. Se nós não tentarmos amar do fundo dos nossos corações, tudo se transformará numa angústia profunda. O amor, conforme nos ensinou o Nosso Senhor Jesus Cristo, é a grande mola salvadora da humanidade.
 
Que mensagem o senhor deixaria para nós, espíritas?
Que amem também, porque não há divisão entre espíritas e católicos ou qualquer outra crença no seio do Senhor. Não há. Essa divisão é feita por nós, não pelo Criador. São aceitáveis porque demonstram diferenças de pontos de vista, no entanto, a convergência é única, aqui simbolizada pela prática do amor, pois devemos unir os nossos esforços.
 
Que mensagem o senhor deixaria para os religiosos de uma maneira geral?
Que amem. Não há outra mensagem senão a mensagem do amor. Ela é a única e principal mensagem que se pode deixar.
 
Autor: Dom Helder Câmara (espírito)
Médium: Carlos Pereira
Editora: ufaux
Site:
www.editoradufaux.com.br <http://www.editoradufaux.com.br
"Sê tu, aquele que ama e nada exige." 
 Joanna de Ângelis. 
  
 


Escrito por Marisa de Mello às 22h24
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Como educar os filhos?

Narra uma antiga lenda que, certa vez, um rei chamou o homem mais sábio que conhecia para pedir conselhos.

O soberano se preparava para ser pai e desejava orientações a respeito da educação de seus filhos, uma vez que sabia da importância de seu papel como progenitor na vida dos rebentos.

Dize-me, sábio conselheiro, tu que sempre me ajudaste nas questões mais graves na regência deste reino: como deve agir um pai para criar bons filhos?

Deve agir com extrema severidade, a fim de corrigir e dominar os maus instintos, ou com absoluta benevolência - a fim de manter uma boa relação e destacar as boas tendências deles?

Ao ouvir essas palavras, o ilustre filósofo manteve-se em silêncio, pensando, pensando...

Passados alguns instantes de profunda reflexão, chamou um servo e pediu-lhe que trouxesse dois vasos valiosos de porcelana que decoravam o salão real e que ele sabia estavam entre os preferidos do rei.

Pediu também um balde com água fervente e outro com água gelada, praticamente congelada.

O rei estava achando aquilo muito estranho. Inclusive, começou a ficar um pouco preocupado com a movimentação das peças que eram parte do seu tesouro pessoal.

Com naturalidade, o sábio ordenou a um servo:

Quero que enchas esses dois vasos com a água que acabas de trazer, sendo um com água fervente e o outro com água gelada!

Preparava-se o servo obediente para despejar, como lhe fora ordenado, a água fervente num dos vasos e a gelada no outro, quando o rei, emergindo de sua estupefação, interveio no caso com energia:

Que loucura é essa, ó venerável sábio! Queres destruir estas obras maravilhosas? A água fervente fará, certamente, arrebentar o vaso em que for colocada. A água gelada fará partir-se o outro!

O sábio, calmamente, então tomou de um dos baldes, misturou a água fervente com a gelada e, com a mistura assim obtida, encheu os dois vasos sem perigo algum.

O poderoso monarca e os venerandos mandarins presentes, observaram, atônitos, a atitude singular do filósofo.

ele, porém, indiferente ao assombro que causava, aproximou-se do soberano e assim falou:

Nossos filhos, ó rei, são como o vaso de porcelana. A postura do pai é como a água.

A água fervente da severidade ou a gelada da excessiva benevolência são igualmente desastrosas para a alma das crianças.

Manda, pois, a sabedoria e ensina a prudência que haja um perfeito equilíbrio entre a severidade - com que se pode tolher os maus pendores, corrigir as falhas - e a generosidade, a docilidade - com que se deve tratar e cultivar as qualidades.

*   *   *

Diante do teu filho, frágil de aparência, tem em mente que se trata de um Espírito comprometido com a retaguarda, que recomeça a experiência a penates, e que muito depende de ti.

Nem o excesso de severidade para com ele, nem o acúmulo de receios injustificados, em relação a ele, ou a exagerada soma de aflição por ele.

Fala-lhe de Deus sem cessar e ilumina-lhe a consciência com a flama da fé rutilante, que lhe deve lucilar no íntimo como farol de bênçãos para todas as circunstâncias.

Ensina-lhe a humildade ante a grandeza da vida e o respeito a todos, como valorização preciosa das concessões Divinas.

 

Redação do Momento Espírita com base em antiga lenda oriental e no
cap.
Deveres dos pais, do livro Leis morais da vida, pelo Espírito Joanna de
Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

Em 03.04.2012.



Escrito por Marisa de Mello às 22h20
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Nossos talentos
 
Quais são os nossos talentos? Esta pergunta é algo que vale a pena fazermos para nós mesmos.
Há quem diga que não os tem, que não consiga fazer nada direito, que não tem nada para oferecer de bom.
Há outros que imaginam que talento é algo para pessoas especiais, predestinadas. Que são poucos aqueles que efetivamente têm algum.
Se analisarmos mais detidamente, conseguiremos perceber que todos nós, de alguma forma, temos talentos.
Alguns têm inteligência privilegiada e, logo mostram seu talento na capacidade pensante, nos raciocínios lógicos, nas deduções brilhantes.
Outros são talentosos no trato com as pessoas. Conseguem travar conversa agradável com quem quer que seja, apresentam sempre uma palavra amiga, um comentário feliz.
Há outros que têm talento inegável na profissão que escolhem. Realizam-na com prazer e dedicação, produzem com esmero e qualidade, oferecendo sempre o melhor, o inusitado, o surpreendente.
Mesmo em situações que muitos não dão a importância devida, há muito talento se expressando.
A dona de casa, embora muitas vezes sem reconhecimento, é quem, com muito talento, administra o orçamento, planeja o cardápio, gerencia o asseio do lar. Isso, sem talento, seria sempre tarefa incompleta ou mal feita...
Dispomos de potencialidades, capacidades que podemos utilizar como instrumentos de contribuição para a sociedade em que vivemos.
Quantas histórias não escutamos sobre maestros, músicos, artistas que multiplicam seu talento em atividades sociais, comunitárias, ensinando a crianças e jovens as belezas de sua arte.
Quantos não são os professores que, talentosos, sabem honrar seu ofício, indo além do dever profissional que lhes cabe, sendo mestres a conduzir mentes, a construir cidadãos, a forjar positivamente caracteres.
Há, e não são poucos, executivos talentosos que, amealhando grandes somas graças à sua inegável capacidade de negócios, utilizam seu dinheiro para fazer o bem, produzir o bom e o belo, conscientes de que de nada valeria guardar em frios cofres o resultado monetário dessa sua potencialidade.
Não importa em que ou quanto somos bons, quais os nossos talentos.
Sempre haverá a possibilidade de multiplicá-los, de fazê-los crescer e produzir frutos em benefício de tantos.
*   *   *
Assim, ao percebermos os talentos de que dispomos, aproveitemo-los para que possam beneficiar o meio em que estivermos.
Madre Tereza de Calcutá usou do seu talento de amar ao próximo para modificar as paisagens do planeta. Albert Einstein não poupou seu talento para que a Ciência ganhasse novos horizontes.
Porém, se ainda não conseguimos acessar capacidades dessa magnitude, façamos aquilo que já nos cabe. Talvez não modifiquemos a história do mundo, nem consigamos deixar nosso nome marcado nos compêndios da ciência ou da arte.
Mas valerá a pena se, com nosso talento, pudermos contribuir para que uma vida se faça melhor, que o dia de alguém se torne mais suave, ou que a estrada de algum outro possa ter, ao menos, uma flor a mais plantada, adornando o seu caminhar.
 
Redação do Momento Espírita.
Em 04.04.2012.


Escrito por Marisa de Mello às 22h19
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Trabalho e oração

A oração constitui um valioso recurso à disposição dos homens.

Mediante ela, consegue-se acesso a faixas superiores da vida.

O homem que ora com fervor se previne de muitos males.

Ao se ligar com esferas espirituais pacíficas e felizes, gradualmente se ajusta com os ideais que nelas imperam.

Entretanto, a oração não constitui um mecanismo de transferência das próprias responsabilidades.

Muitas vezes se espera do céu uma solução decisiva para inúmeros problemas da existência humana.

Trata-se de uma viciação mental, mediante a qual a criatura busca se furtar ao esforço que lhe cabe em sua jornada terrena.

Para que isso fique claro, basta lembrar o exemplo de Jesus.

Ele representa a Misericórdia Divina no planeta.

Mas, enquanto na carne, não livrou ninguém de cuidar dos próprios interesses.

Auxiliou doentes e aflitos, sem retirá-los das questões fundamentais que lhes diziam respeito.

Zaqueu, o rico prestigiado pela visita que lhe foi feita, sentiu-se constrangido a modificar a sua conduta.

Maria de Magdala recebeu carinhosa atenção.

Contudo, não ficou livre do dever de sustentar-se no árduo combate da renovação interior.

Lázaro, reerguido das trevas do sepulcro, nem por isso deixou de mais tarde ter de aceitar o desafio da morte física.

Paulo de Tarso foi distinguido por um apelo pessoal às portas de Damasco.

No entanto, a seguir se lançou em uma vida de sacrifícios para cumprir o papel que lhe cabia no mundo.

Nessa linha, é totalmente ilógico acreditar que basta orar para que todos os problemas se resolvam.

A oração é preciosa, mas representa apenas o começo da solução.

Mediante ela, o homem se fortifica e esclarece.

A partir daí, forte e lúcido, deve fazer a sua parte.

Assim, ore, pois isso é mesmo importante.

Mas, na sequência, trabalhe firme para atingir seus objetivos.

Se deseja um emprego melhor, estude e se aprimore.

Desenvolva seus talentos, eduque-se para poder aproveitar as oportunidades que surgirem em sua vida.

Se quer saúde, modifique seu estilo de vida.

Modere seus apetites, exercite-se, acalme-se.

Caso almeje amigos dignos e confiáveis, faça por onde atrair pessoas boas para sua vida.

Discipline-se para manter uma conversação sadia, seja educado e atencioso, comporte-se com nobreza.

Na hipótese de sonhar com um ambiente familiar equilibrado, comece a construí-lo.

Aprenda a perdoar, ouça seus familiares com atenção, respeite o espaço e as opiniões deles.

Esse método talvez não pareça sedutor à primeira vista.

Afinal, pressupõe esforço e disciplina.

Entretanto, ele seguramente dá resultados.

Todo esforço digno, por mínimo que seja, invariavelmente recebe da vida a melhor resposta.

Pense nisso.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. XVIII do livro
Nos domínios da mediunidade, pelo Espírito André Luiz,
psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.
Em 15.03.2012.



Escrito por Marisa de Mello às 17h19
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Cuidando do corpo

Deepak Chopra é médico formado na Índia, com especialização em Endocrinologia nos Estados Unidos, onde está radicado desde a década de setenta.

Filósofo de reputação internacional, já escreveu mais de três dezenas de livros, sendo um dos mais respeitados pensadores da atualidade.

A respeito do ser humano saudável, ele escreveu: Somos as únicas criaturas na face da Terra capazes de mudar nossa biologia pelo que pensamos e sentimos!

Nossas células estão constantemente bisbilhotando nossos pensamentos e sendo modificadas por eles.

Um surto de depressão pode arrasar nosso sistema imunológico.

Apaixonar-se, ao contrário, pode fortificá-lo tremendamente.

A alegria e a realização nos mantêm saudáveis e prolongam a vida.

A recordação de uma situação estressante, que não passa de um fio de pensamento, libera o mesmo fluxo de hormônios destrutivos que o estresse.

Nossas células estão constantemente processando as experiências e metabolizando-as, de acordo com nossos pontos de vista pessoais.

Quando nos deprimimos por causa da perda de um emprego, projetamos tristeza por toda parte no corpo. A produção de neurotransmissores, por parte do cérebro, se reduz. Baixa o nível de hormônios. O ciclo de sono é interrompido.

As plaquetas sanguíneas ficam mais viscosas e mais propensas a formar grumos. Os receptores neuropeptídicos, na superfície externa das células da pele, se tornam distorcidos.

E, até nossas lágrimas passam a conter traços químicos diferentes das lágrimas de alegria.

Contudo, nosso perfil bioquímico é alterado, quando nos encontramos em nova posição.

A ansiedade por causa de um exame acaba passando, assim como a depressão por causa de um emprego perdido.

Assim, se desejamos saber como está nosso corpo hoje, basta que nos recordemos do que pensamos ontem.

Se desejamos saber como estará nosso corpo amanhã, será suficiente que examinemos nossos pensamentos hoje.

Abrir nosso coração para a  alegria, às coisas positivas é medida salutar. Se desejamos gozar de saúde física, principiemos a mudar nossa maneira de pensar.

Não foi por outro motivo que o Celeste Médico das nossas almas, conhecedor profundo de todas as leis que regem nosso planeta, foi pródigo em exortações como:

Não vos inquieteis, dizendo: "Que comeremos" ou "Que beberemos", ou "Que vestiremos"?

Pois estas coisas os gentios buscam. De fato, vosso Pai Celestial sabe que necessitais de todas estas coisas.

Portanto, não vos inquieteis com o amanhã, pois o amanhã se inquietará consigo mesmo! Basta a cada dia o seu mal. Com isso, recomendava que não nos deixássemos abraçar pela ansiedade.

E mais: Andai como filhos da luz.

Ora, os filhos da luz iluminam, vibram positivamente, porque luz tem a ver com tudo de bom.

Pensemos nisso e cultivemos saúde física. Afinal, necessitamos de um corpo saudável para bem atender os compromissos que nos cabem.

Que se diria de quem não cuidasse de seu instrumento de trabalho?

 

Redação do Momento Espírita, com dizeres do texto Mutantes, de
Deepak Chopra e dos versículos 31, 32 e 34 do cap. 6 do
Evangelho de Mateus.
Em 19.03.2012.



Escrito por Marisa de Mello às 17h17
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"NOSSOS AMIGOS INVISIVEIS"





O regresso ao mundo físico ensejou o planejamento meticuloso e a participação direta de inúmeros amigos invisíveis que no seu papel de sustentador de nossos objetivos, na meta essencial de nossa transformação, prometeram vigiar-nos, e nos alertar de todos os riscos a que nossos antigos vícios, contra os quais prometemos lutar, nos exporiam.
Planejadores Espirituais sábios, técnicos da reencarnação, engenheiros das formas biológicas, modeladores do corpo períspiritual, instrutores da alma, professores do sentimento, mestres da vontade, todos os componentes dos departamentos especializados se envolvem nos processos reencarnatórios, buscando fazer daquela a experiência decisiva na vida da pessoa que regressa ao mundo físico.
Por isso, uma vida é muito preciosa para ser tratada com desdém pelos espíritos que sabem quanto custa retornar ao corpo carnal o espírito endividado.
Quando o ser humano entender a imensa gama de amigos invisíveis que possui no bem, mas do que se entregar aos comportamentos impulsivos e tresloucados, caprichosos e imaturos, que representam sempre a sintonia com outro tipo de espíritos, tão ou mais imperfeitos que os próprios homens, interromperá por instantes a sua conduta e, em homenagem a todos estes luminosos anjos tutelares, endereçar-lhes-ás uma prece sincera, pedindo inspiração, pedindo a boa companhia, solicitando a intuição clara para que não cometa o equivoco que sua impulsividade, manipulada por espíritos inferiores como ele próprio, facilmente cometeria.   
Nossos passos diários seriam dados à sombra da meditação elevada, nossas escolhas seriam frutos de um período de reflexões sinceras, nas quais buscaríamos  sempre entender qual seria a vontade de DEUS e qual seria a conduta de Jesus, se ele estivesse em nosso lugar.
Com isso, não querendo dizer que deveríamos transformar nossas horas diárias  em uma constante, formal e repetitiva oração, nossos espíritos  estariam abertos às forças luminosas que, com mais facilidade nos orientariam a mente e o coração, através de conselhos e alertas que nos chegariam de maneira mais direta e que poderiam servir como baliza para nossas condutas.
Aprendamos a orar trabalhando, a fim de que nossas boas obras possam ser o testemunho verdadeiro da nossa ligação com o bem. Aprendamos a servir, para que nossos atos, palavras, sentimentos e pensamentos  se transformem, naturalmente, na mais doce e elevada oração que produzirá perfume e envolverá todos os que  estiverem à nossa volta.
‘ANDRÉ LUIZ RUIZ”. Pelo Espírito:”LÚCIOS”.
Da obra:” A FORÇA DA BONDADE”.




Escrito por Marisa de Mello às 21h28
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video: O Mundo de Sofia

O mundo de Sofia - filme completo

http://www.youtube.com/watch?v=tVeCiWA3I20&feature=related

 



Escrito por Marisa de Mello às 21h27
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VIDEO PERISPIRITO

ESTUDO SOBRE PERISPÍRITO, DESDOBRAMENTO, OVÓIDES, CHACRAS, ETC

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=4q9t1IqP_A0



Escrito por Marisa de Mello às 21h23
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Por que Deus permite o mal?

É bem sabido que a maior parte das misérias da vida tem origem no egoísmo dos homens. Desde que cada um pensa em si antes de pensar nos outros e cogita antes de tudo de satisfazer aos seus desejos, cada um naturalmente cuida de proporcionar a si mesmo essa satisfação, a todo custo, e sacrifica sem escrúpulo os interesses alheios, assim nas mais insignificantes coisas, como nas maiores, tanto de ordem moral, quanto de ordem material. Daí todos os antagonismos sociais, todas as lutas, todos os conflitos e todas as misérias, visto que cada um só trata de despojar o seu próximo. O egoísmo, por sua vez, se origina do orgulho. A exaltação da personalidade leva o homem a considerar-se acima dos outros. Julgando-se com direitos superiores, melindra-se com o que quer que, a seu ver, constitua ofensa a seus direitos. A importância que, por orgulho, atribui à sua pessoa, naturalmente o torna egoísta.

  O egoísmo e o orgulho nascem de um sentimento natural: o instinto de conservação. Todos os instintos têm sua razão de ser e sua utilidade, porquanto Deus nada pode ter feito inútil. Ele não criou o mal; o homem é quem o produz, abusando dos dons de Deus, em virtude do seu livre arbítrio. Contido em justos limites, aquele sentimento é bom em si mesmo. A exageração é o que o torna mau e pernicioso. O mesmo acontece com todas as paixões que o homem frequentemente desvia do seu objetivo providencial. Ele não foi criado egoísta, nem orgulhoso por Deus, que o criou simples e ignorante; o homem é que se fez egoísta e orgulhoso, exagerando o instinto que Deus lhe outorgou para sua conservação.

  Não podem os homens ser felizes, se não viverem em paz, isto é, se não os animar um sentimento de benevolência, de indulgência e de condescendência recíprocas; numa palavra: enquanto procurarem esmagar-se uns aos outros.

  A caridade e a fraternidade resumem todas as condições e todos os deveres sociais; uma e outra, porém, pressupõem a abnegação. Ora, a abnegação é incompatível com o egoísmo e o orgulho; logo, com esses vícios, não é possível a verdadeira fraternidade, nem, por conseguinte, igualdade, nem liberdade, dado que o egoísta e o orgulhoso querem tudo para si. Eles serão sempre os vermes roedores de todas as instituições progressistas; enquanto dominarem, ruirão aos seus golpes os mais generosos sistemas sociais, os mais sabiamente combinados. É belo, sem dúvida, proclamar-se o reinado da fraternidade, mas, para que fazê-lo, se uma causa destrutiva existe? É edificar em terreno movediço; o mesmo fora decretar a saúde numa região malsã. Em tal região, para que os homens passem bem, não bastará se mandem médicos, pois que estes morrerão como os outros; insta destruir as causas da insalubridade. Para que os homens vivam na Terra como irmãos, não basta se lhes deem lições de moral; importa destruir as causas de antagonismo, atacar a raiz do mal: o orgulho e o egoísmo. Essa a chaga sobre a qual deve concentrar-se toda a atenção dos que desejem seriamente o bem da Humanidade.

  Enquanto subsistir semelhante obstáculo, eles verão paralisados todos os seus esforços, não só por uma resistência de inércia, como também por uma força ativa que trabalhará incessantemente no sentido de destruir a obra que empreendam, por isso que toda ideia grande, generosa e emancipadora arruína as pretensões pessoais. Impossível, dir-se-á, destruir o orgulho e o egoísmo, porque são vícios inerentes à espécie humana. Se fosse assim, houvéramos de desesperar de todo progresso moral; entretanto, desde que se considere o homem nas diferentes épocas transcorridas, não há negar que evidente progresso se efetuou. Ora, se ele progrediu, ainda naturalmente progredirá. Por outro lado, não se encontrará homem nenhum sem orgulho, nem egoísmo? Não se veem, ao contrário, criaturas de índole generosa, em quem parecem inatos os sentimentos do amor ao próximo, da humildade, do devotamento e da abnegação? O número delas, positiva mente, é menor do que o dos egoístas; se assim não fosse, não seriam estes últimos os fautores da lei. Há muito mais criaturas dessas do que se pensa e, se parecem tão pouco numerosas, é porque o orgulho se põe em evidência, ao passo que a virtude modesta se conserva na obscuridade.

  Se, portanto, o orgulho e o egoísmo se contassem entre as condições necessárias da Humanidade, como a da alimentação para sustento da vida, não haveria exceções. O ponto essencial, pois, é conseguir que a exceção passe a constituir regra; para isso, trata-se, antes de tudo, de destruir as causas que produzem e entretêm o mal. Dessas causas, a principal reside evidentemente na ideia falsa que o homem faz da sua natureza, do seu passado e do seu futuro. Por não saber donde vem, ele se crê mais do que é; e não sabendo para onde vai, concentra na vida terrena todo o seu pensar; acha-a tão agradável, quanto possível; anseia por todas as satisfações, por todos os gozos; essa a razão por que atropela sem escrúpulo o seu semelhante, se este lhe opõe alguma dificuldade. Mas, para isso, é preciso que ele predomine; a igualdade daria, a outros, direitos que ele só quer para si; a fraternidade lhe imporia sacrifícios em detrimento do seu bem-estar; a liberdade também ele só a quer para si e somente a concede aos outros quando não lhe fira de modo algum as prerrogativas. Alimentando todos as mesmas pretensões, têm resultado os perpétuos conflitos que os levam a pagar bem caro os raros gozos que logram obter.

  Identifique-se o homem com a vida futura e completamente mudará a sua maneira de ver, como a do indivíduo que apenas por poucas horas haja de permanecer numa habitação má e que sabe que, ao sair, terá outra, magnífica, para o resto de seus dias. A importância da vida presente, tão triste, tão curta, tão efêmera, se apaga, para ele, ante o esplendor do futuro infinito que se lhe desdobra às vistas. A consequência natural e lógica dessa certeza é sacrificar o homem um presente fugidio a um porvir duradouro, ao passo que antes ele tudo sacrificava ao presente. Tomando por objetivo a vida futura, pouco lhe importa estar um pouco mais ou um pouco menos nesta outra; os interesses mundanos passam a ser o acessório, em vez de ser o principal; ele trabalha no presente com o fito de assegurar a sua posição no futuro, tanto mais quando sabe em que condições poderá ser feliz.

  Pelo que toca aos interesses terrenos, podem os humanos criar-lhe obstáculos: ele tem que os afastar e se torna egoísta pela força mesma das coisas. Se lançar os olhos para o alto, para uma felicidade a que ninguém pode obstar, interesse nenhum se lhe deparará em oprimir a quem quer que seja e o egoísmo se lhe torna carente de objeto.

  Todavia, restará o estimulante do orgulho. A causa do orgulho está na crença, em que o homem se firma, da sua superioridade individual. Ainda aí se faz sentir a influência da concentração dos pensamentos sobre a vida corpórea. Naquele que nada vê adiante de si, atrás de si, nem acima de si, o sentimento da personalidade sobrepuja e o orgulho fica sem contrapeso. A incredulidade não só carece de meios para combater o orgulho, como o estimula e lhe dá razão, negando a existência de um poder superior à Humanidade. O incrédulo apenas crê em si mesmo; é, pois, natural que tenha orgulho. Enquanto que, nos golpes que o atingem, unicamente vê uma obra do acaso e se ergue para combatê-la, aquele que tem fé percebe a mão de Deus e se submete.

  Crer em Deus e na vida futura é, conseguintemente, a primeira condição para moderar o orgulho; porém, não basta. Juntamente com o futuro, é necessário ver o passado, para fazer idéia exata do presente. Para que o orgulhoso deixe de crer na sua superioridade, cumpre se lhe prove que ele não é mais do que os outros e que estes são tanto quanto ele; que a igualdade é um fato e não apenas uma bela teoria filosófica; que estas verdade ressaltam da preexistência da alma e da reencarnação. Sem a preexistência da alma, o homem é induzido a acreditar que Deus, dado creia em Deus, lhe conferiu vantagens excepcionais; quando não crê em Deus, rende graças ao acaso e ao seu próprio mérito. Iniciando-o na vida anterior da alma, a preexistência lhe ensina a distinguir, da vida corporal, transitória, a vida espiritual, infinita; ele fica sabendo que as almas saem todas iguais das mãos do Criador; que todas têm o mesmo ponto de partida e a mesma finalidade, que todas hão de alcançar, em mais ou menos tempo, conforme os esforços que empreguem; que ele próprio não chegou a ser o que é, senão depois de haver, por longo tempo e penosamente, vegetado, como os outros, nos degraus inferiores da evolução; que, entre os mais atrasados e os mais adiantados, não há senão uma questão de tempo; que as vantagens do nascimento são puramente corpóreas e independem do Espírito; que o simples proletário pode, noutra existência, nascer num trono e o maior potentado renascer proletário.

  Se levar em conta unicamente a vida planetária, ele vê apenas as desigualdades sociais do momento, que são a que o impressionam; se, porém, deitar os olhos sobre o conjunto da vida do Espírito, sobre o passado e o futuro, desde o ponto de partida até o de chegada, aquelas desigualdades se somem e ele reconhece que Deus nenhuma vantagem concedeu a qualquer de seus filhos em prejuízo dos outros; que deu parte igual a todos e não aplainou o caminho mais para uns do que para outros; que o que se apresenta menos adiantado do que ele na Terra pode tomar-lhe a dianteira, se trabalhar mais do que ele por aperfeiçoar-se; reconhecerá, finalmente, que, nenhum chegando ao termo senão por seus esforços, o princípio da igualdade é um princípio de justiça e uma lei da Natureza, perante a qual cai o orgulho do privilégio. Provando que os Espíritos podem renascer em diferentes condições sociais, quer por expiação, quer por provação, a reencarnação ensina que, naquele a quem tratamos com desdém, pode estar um que foi nosso superior ou nosso igual noutra existência, um amigo ou um parente. Se o soubesse, o que com ele se defronta o trataria com atenções, mas, nesse caso, nenhum mérito teria; por outro lado, se soubesse que o seu amigo atual foi seu inimigo, seu servo ou seu escravo, sem dúvida o repeliria. Ora, não quis Deus que fosse assim, pelo que lançou um véu sobre o passado. Deste modo, o homem é levado a ver, em todos, irmãos seus e seus iguais, donde uma base natural para a fraternidade; sabendo que pode ser tratado como haja tratado os outros, a caridade se lhe torna um dever e uma necessidade fundados na própria Natureza.

  Jesus assentou o princípio da caridade, da igualdade e da fraternidade, fazendo dele uma condição expressa para a salvação; mas, estava reservado à terceira manifestação da vontade de Deus, ao Espiritismo, pelo conhecimento que faculta da vida espiritual, pelos novos horizontes que desvenda e pelas leis que revela, sancionar esse princípio, provando que ele não encerra uma simples doutrina moral, mas uma lei da Natureza que o homem tem o máximo interesse em praticar. Ora, ele a praticará desde que, deixando de encarar o presente como o começo e o fim, compreenda a solidariedade que existe entre o presente, o passado e o futuro. No campo imenso do infinito, que o Espiritismo lhe faz entrever, anula-se a sua importância capital e ele percebe que, por si só, nada vale e nada é; que todos têm necessidade uns dos outros e que uns não são mais do que os outros: duplo golpe, no seu egoísmo e no seu orgulho. Mas, para isso, é-lhe necessária a fé, sem a qual permanecerá na rotina do presente, não a fé cega, que foge à luz, restringe as ideias e, em consequência, alimenta o egoísmo. É-lhe necessária a fé inteligente, racional, que procura a claridade e não as trevas, que ousadamente rasga o véu dos mistérios e alarga o horizonte. Essa fé, elemento básico de todo progresso, é que o Espiritismo lhe proporciona, fé robusta, porque assente na experiência e nos fatos, porque lhe fornece provas palpáveis da imortalidade da sua alma, lhe mostra donde ele vem, para onde vai e por que está na Terra e, finalmente, lhe firma as ideias, ainda incertas, sobre o seu passado e sobre o seu futuro. Uma vez que haja entrado decisivamente por esse caminho, já não tendo o que os incite, o egoísmo e o orgulho se extinguirão pouco a pouco, por falta de objetivo e de alimento, e todas as relações sociais se modificarão sob o influxo da caridade e da fraternidade bem compreendidas.

  Poderá isso dar-se por efeito de brusca mudança? Não, fora impossível: nada se opera bruscamente em a Natureza; jamais a saúde volta de súbito a um enfermo; entre a enfermidade e a saúde, há sempre a convalescença. Não pode o homem mudar instantaneamente o seu ponto de vista e volver da Terra para o céu o olhar; o infinito o confunde e deslumbra; ele precisa de tempo para assimilar as novas ideias. O Espiritismo é, sem contradita, o mais poderoso elemento de moralização, porque mina pela base o egoísmo e o orgulho, facultando um ponto de apoio à moral. Há feito milagres de conversão; é certo que ainda são apenas curas individuais e não raro parciais. O que, porém, ele há produzido com relação a indivíduos constitui penhor do que produzirá um dia sobre as massas. Não lhe é possível arrancar de um só golpe as ervas daninhas. Ele dá a fé e a fé é a boa semente, mas mister se faz que ela tenha tempo de germinar e de frutificar, razão por que nem todos os espíritas já são perfeitos.

  Ele tomou o homem em meio da vida, no fogo das paixões, em plena força dos preconceitos e se, em tais circunstâncias, operou prodígios, que não será quando o tomar ao nascer, ainda virgem de todas as impressões malsãs; quando a criatura sugar com o leite a caridade e tiver a fraternidade a embalá-lo; quando, enfim, toda uma geração for educada e alimentada com ideias que a razão, desenvolvendo-se, fortalecerá, em vez de falsear? Sob o domínio destas ideias, a cimentarem a fé comum a todos, não mais esbarrando o progresso no egoísmo e no orgulho, as instituições se reformarão por si mesmas e a Humanidade avançará rapidamente para os destinos que lhe estão prometidos na Terra, aguardando os do céu.


EGOÍSMO E ORGULHO
Causas, efeitos e meios de destruí-los
Escrito por Allan Kardec no livro “OBRAS PÓSTUMAS”



Escrito por Marisa de Mello às 21h15
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Escrito por Marisa de Mello às 21h11
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Kardec On line...

Era uma vez um povo que vivia em um mar de possibilidades...


  Neste mar, este povo foi lançado sem saber nadar bem e sem rumo que os orientasse. De repente, eles encontraram uma embarcação. Ela foi a “salvação” que procuravam, já que eles nadavam sem rumo e sob o risco de se afogarem. Subiram à embarcação e sentiram-se aliviados e protegidos, porque com eles seguiam outras pessoas que também subiram à mesma embarcação para salvarem-se.

  Era confortante e seguro estar junto com outros que buscavam o mesmo destino que era a “terra firme”. A “terra firme” parecia uma promessa distante, que nunca haviam visto, mas que sentiam que existia e pela qual perseveravam. Então seguiram todos no mesmo barco por tempos e tempos.

  Este barco, que os pareceu maravilhoso, grande e portentoso, agora era o ambiente comum. Passado o deslumbramento, assim como passa o deslumbramento das paixões, deram-se conta de que não se trata de uma embarcação tão segura assim. Mais que isso, ela possuía muitas falhas em seu casco, muitas brechas que tornavam lento o seu navegar e incerto o seu itinerário.

  Aos poucos, alguns deles começaram a mergulhar no mar de vez em quando, a fazer rápidas excursões para fora da embarcação e aprender a nadar com agilidade. Outros mais medrosos preferiam não arriscar estes nados audazes e permaneciam na segurança da embarcação, ainda que ela não fosse tão segura assim.

  Os que habitualmente pulavam para fora do barco, gradualmente adquiriram a capacidade de nadar habilmente e às vezes era monótono ficarem restritos ao barco, principalmente quando se conseguia nadar mais rápido que o grande e pesado navio. O barco antes nadava com mais agilidade, mas agora ele estava sobrecarregado de náufragos errantes e acomodados, que se recusam a fazer sua manutenção.

  Os náufragos errantes fizeram regras e políticas de como viver dentro do grande e pesado barco, e aquele foi se tornando um lugar insuportável, mas os tripulantes, ou aqueles que se elegeram tripulantes, disseram que o grande barco é o único meio de chegar à “terra firme” e que para os proteger, a partir de então, todos estariam proibidos de fazer excursões de natação ao mar.

  – O mar – diziam os tripulantes da nau – é um lugar perigoso e cheio de surpresas, é preciso que nos protejamos no grande barco.

  Aqueles que costumavam nadar se sentiam presos e pesados. Gostavam dos amigos que fizeram no barco, mesmo daqueles que tinham medo de aprender a nadar e por eles também permaneciam no barco. O pior foi que, ao observarem o barco por fora, os nadadores viam que a maresia carcomia seu casco e que mais cedo ou mais tarde ele naufragaria, lançando todos ao mar. E agora? O que seria dos amigos que não sabiam nadar? Afogar-se-iam ou seriam devorados pelos animais perigosos? Será que encontraríamos a “terra firme” antes de o grande barco naufragar?

  Ah...! A “terra firme” parecia uma promessa tão distante... Para todos os lados só víamos o vazio desolador das águas sem fim e depois de todo esse tempo não parecíamos estar perto. Nem sequer tínhamos certeza se nossos instrumentos de navegação eram precisos. E se estivéssemos navegando em círculos?

  Então um dia, corajosamente, um grupo de nadadores de vanguarda decidiu abandonar o barco. Eles já estavam muito treinados, conseguiam nadar bem mais rápido que o barco e sem se cansar. Já estavam preparados para explorar outros rumos adiante e tentar salvar aqueles que ficaram no barco antes que ele naufragasse.

  Os nadadores de vanguarda também não suportavam mais viver com as mesquinharias dos que viviam no barco; as disputas mesquinhas de poder, os simulacros e hipocrisias, as questões menores. O pior era que os tripulantes, desfrutando de condição cômoda e privilegiada, pareciam não se importar mais em atingir a “terra firme”. Eles também já tinham, sem se dar conta, perdido a esperança de chegar a “terra firme” e, por outro lado, sabiam que se chegassem lá, todas as regras, leis e hierarquias perderiam o sentido. Uma vez na “terra firme”, não existiriam mais cargos e poder, todos estariam livres da vida no barco. E os demais que viviam no barco, tinham medo de nadar e se afogar e viviam infelizes deixando que o barco decidisse seu próprio rumo, pois mesmo que o barco não levasse a lugar nenhum, pelo menos eles estariam todos juntos e morreriam todos juntos. Nada poderia ser pior que estar sozinho na imensidão do mar vazio, as pessoas preferem a morte à solidão.

  Por isso, os tripulantes do grande barco chamaram os nadadores de vanguarda de desertores e hereges. Mas os nadadores não se importavam mais com o que pensavam os tripulantes. Não foi fácil para os nadadores deixarem o navio que lhes serviu de salvação, eles se lembraram de quando estavam perdidos no mar, fracos e sem mal saber nadar e o navio apareceu para lhes oferecer apoio e fortalecimento. Mas agora que estavam mais fortes e independentes podiam seguir seu caminho, mesmo deixando para trás aqueles que amavam.

  Os nadadores de vanguarda saíram mar adentro, nadando alegremente por mares então desconhecidos. Ao atravessarem os limites do horizonte, ao atravessarem tempestades e escaparem de animais perigosos, depois de se sentirem perdidos e sozinhos, eles oraram ao deus da “terra firme” para que dessem alguma solução, para que pudessem voltar a tempo de salvar aqueles que estavam com medo no grande barco sem acreditar que ele naufragaria lançando todos ao mar.

  Eis que então apareceu uma bela criatura marinha. Ela parecia humana, mas era muito mais bela que as criaturas humanas. Seu corpo brilhava e ela podia nadar com a agilidade que nenhum dos nadadores de vanguarda conseguia nadar. E então um dos nadadores perguntou:

  - Que tipo de criatura é você? E como consegue viver sem uma embarcação ou longe da “terra firme”?

  - Sou uma criatura igual a você, mas vim de outra embarcação mais antiga. Eu e meus companheiros já deixamos nosso barco há muitos milênios. Venham comigo e eu vos mostrarei.

  Aquele ente divino conduziu os nadadores para conhecerem outros entes parecidos com ele. Os nadadores descobriram que eles eram muito mais antigos que seu grupo e estavam muito mais adaptados à água. Eles podiam viver dentro e fora d’água e guardavam muitas estórias de outros povos ainda mais antigos que eles, que dominavam todos os mares. Os nadadores de vanguarda descobriram que aquelas criaturas eram diferentes porque haviam se adaptado à vida no mar, viviam no mar como se fosse a “terra firme”, estavam a vontade e felizes.

  Naquele momento um dos nadadores de vanguarda perguntou:

  - Para que lado está a “terra firme”? Precisamos saber para salvar nossos semelhantes que vivem em uma embarcação. Logo a maresia corroerá a embarcação e eles serão lançados ao mar. Precisamos conduzir o navio à “terra firme” antes que o pior aconteça.

  E a resposta que os nadadores receberam deixou-os estupefatos. A criatura que os recebeu lhes disse com pesar e voz amena:

  - Não existe “terra firme” neste planeta.

  - O que você está dizendo? Perguntou um dos nadadores.

  - Há milênios que nós nadamos todos os mares deste planeta, nossos antepassados já mapearam todos os recantos e podemos assegurar que este é o planeta das águas. Não existe “terra firme”!

  E agora? Pensaram os nadadores de vanguarda. Será o fim de nosso povo? Mas a criatura bondosa pediu que eles a acompanhassem e os levou ao grande salão dos espelhos das criaturas aquáticas. Diante do espelho cada nadador pode contemplar que havia mudado suas formas e que agora se pareciam mais com as criaturas aquáticas do que com aqueles que viviam no barco. Haviam se adaptado!

  - Eis a resposta!, disse a criatura. – Aqui é “terra firme”, um lugar que só existe no terreno dos nossos corações. Pouco importa estar sozinho no mar ou numa embarcação, tudo é e não é “terra firme”, depende apenas de como você se sente. No passado também tivemos que abandonar nossos barcos para buscar um lugar seguro. Nunca tínhamos visto “terra firme”, este era um anseio de nossos corações, e se nós ansiávamos, então acreditávamos que deveria existir. E de fato existe, mas não da maneira que esperávamos.

  - E na sua época alguns se recusaram a aprender a nadar? Perguntou um nadador.

  - Sim! E estes são os vossos antepassados. Continuam criando embarcações onde são infelizes.

  - Mas porque existem as embarcações?

  - Existem porque vocês precisam delas. Ainda não se reconheceram como seres aquáticos, ainda não aprenderam a ser solidários se não forem obrigados a viverem juntos em uma mesma embarcação. As embarcações são necessárias enquanto ainda somos crianças e para termos a sensação de segurança necessária para aprender a nadar. Somos como um pássaro que precisa de seu ninho nas primeiras semanas de vida, mas se nos recusamos a voar, somos lançados de cima da árvore. Assim também, seus companheiros serão lançados ao mar, se continuarem a se recusar a aprender a nadar, respondeu a criatura.

  - E o que devemos fazer?, perguntaram os nadadores que agora se pareciam com as criaturas aquáticas.

  - Vocês chegaram até aqui por merecimento. Não precisam voltar se não quiserem, mas se amarem os seus de verdade, como nós nos amamos, vocês retornarão para ajudar àqueles que tem medo. “Terra firme” já está dentro de vocês. Não importa se o navio naufraga ou continua a perambular, o que importa são as pessoas que estão dentro dele. Não é pecado sair do navio, pecado é não amar. Porque quem tem “terra firme” em seu coração ama incondicionalmente, ainda que seja incompreendido e injuriado. Voltem e falem a verdade para os que estão no navio, falem onde encontrar de fato “terra firme” e que todas as embarcações serão um dia corroídas pelo tempo e pela maresia. Nada restará! Só estas palavras permanecerão. O navio ainda oferece algumas vantagens, é uma estrutura interessante onde as pessoas procuram abrigo e rumo. Se elas estão ali, é porque procuram ou procuraram por “terra firme”. Pode ser que o ambiente do navio tenha corroído também a esperança deles, mas não deixem que morra a esperança. Não liguem para os tripulantes fanáticos que bravejam acusando-os de desertores. Eles são mais dignos de pena que qualquer outro que está no navio. Não é por eles que vocês ficarão, estes tripulantes serão todos lançados ao mar e serão os primeiros a se afogarem. Usem a estrutura do navio para reavivar a esperança e conduzir com amor os seus companheiros para pequenas excursões de natação. Um dia eles também farão viagens mais audazes e descobrirão a verdade. O pessimista senta e reclama das rachaduras no casco do navio. No fundo ele ainda está ressentido porque o navio não é o que ele queria que fosse. Ele sonhava viajar num transatlântico seguro e tranqüilamente, mas as embarcações são feitas imperfeitas justamente para que pereçam e sejamos lançados ao mar. Não devemos nos ressentir pelo navio precário. O navio pouco importa para quem se tornou uma criatura do mar. O navio é uma instância transitória mas que um dia será dispensável, a diferença é que estas embarcações são caminhos para nós mesmos e não para uma terra prometida. Se seu povo tem navios é porque precisa de navios, então usem os navios para que eles aprendam a nadar. Não se preocupem com os mais renitentes, eles serão lançados inevitavelmente ao mar. Vocês convidarão a muitos, mas poucos estarão dispostos a nadar por si mesmos.

  Depois destas palavras, os nadadores voltaram ao barco para ajudar aqueles que lá ficaram. Como havia sido previsto, eles foram desacreditados, injuriados e acusados de heresia. Quando o barco afundou escaparam aqueles que sabiam nadar e quando a tragédia acontecia, os tripulantes agarravam-se ao navio recusando-se a nadar e gritavam para os que pulavam ao mar: - Hereges! Hereges! Hereges! E sucumbiram porque se recusavam a se libertar do navio.


Breno Henrique de Sousa


Escrito por Marisa de Mello às 21h11
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